Após a Copa da FIFA de 1966, sediada na Inglaterra, a América do Norte – em especial, os Estados Unidos – se viu impulsionada a investir em um “mercado” até então não muito recorrente na região: o futebol. Com o sucesso televisivo da Copa de 66, os norte-americanos passaram a olhar para o esporte de campo de forma contemplativa.

O que antes era uma modalidade pouco popular para eles, se tornou uma necessidade da indústria de entretenimento. Por isso, em 1968, fora criada a NASL, a Liga Norte-Americana de Futebol, que investiu na criação e desenvolvimento de inúmeros clubes estadunidenses e canadenses, como o californiano San José Earthquakes.

Fundado em 1974, na área da Baía de São Francisco, Califórnia, o San José Earthquakes foi um dos adventos da recente NASL que, na época, era a mais influente e popular liga nacional de futebol dos Estados Unidos. O clube surgiu através do investimento de Milan Mandarić, grande empresário Iugoslavo e amante de futebol desde a infância.

O time veio a se tornar um dos grandes clássicos do futebol estadunidense, relembrado em sua primeira fase (1974-1988) com grande tradição. O Earthquakes não somente faz parte da história do futebol norte-americano, como também teve seus dias de glória, contemplados até hoje, como na partida da NASL contra o New York Cosmos, em 1976, onde o San José venceu de 2x1, triunfando sobre ninguém mais, ninguém menos, que o grande Pelé, quando jogava para o Cosmos.

Nos primeiros anos do San José Earthquakes, o time participou de grandes partidas nacionais, tanto de futebol quanto showbol (“futebol rápido”) – uma modalidade que veio a se tornar popular nos Estados Unidos na época.

Venceu diversas partidas em ambas as modalidades sediadas pelo NASL e MISL (Major Indoor Soccer League, onde indoor refere-se a futebol rápido), que ficaram marcadas na história do futebol norte-americano até hoje, como aquelas contra o Cosmos de 1975 e 76. Ficou em primeiro lugar na temporada de 1976 do NASL, vencendo a semifinal na divisão Sul da conferência do Pacífico.

Venceu o primeiro circuito da NASL e MISL de showbol em 1975 e, posteriormente, na divisão Oeste em 1976 – ficando em terceiro lugar nas finais. Entre 1983 e 1984, em meio a boas temporadas, o time mudou de nome, passando a se chamar Golden Bay Earthquakes.

Com a decadência da NASL em 1984, o Earthquakes retoma seu nome inicial, voltando para San José Earthquakes. Nessa mesma época, entre 1985 e 1988, o time se junta à Aliança de Futebol do Oeste (Western Soccer Alliance), que compreendia clubes do oeste dos Estados Unidos e Canadá, onde jogou até sua dissolução, em 1988.

SAN JOSÉ, CA – 7 DE AGOSTO: Pelé, camisa 10 do New York Cosmos, dá um chute durante uma partida da Liga de Futebol Norte-Americana (NASL) contra o San José Earthquakes, jogada no dia 7 de agosto de 1976, no Spartan Stadium, em San José, CA. Na defesa está Milo Pavlovic, camisa 21. (Foto por David Madison/Getty Images)‌ ‌

Com a saída do time da WSA e sua dissolução subsequente, a região da Baía de São Francisco sediou o nascimento de outros clubes, a partir do investimento de empresários e das alianças que esportivas que dominavam naqueles anos. O nome San José Earthquakes já não fazia mais parte daquele cenário.

A volta dos que se foram

Em 15 de junho de 1994, o tradicionalíssimo clube das décadas passadas ressurge. O San José Earthquakes retorna à cena validado através da WSL (Western Soccer League), quando um dos antigos donos do San José Hawks, juntamente com um velho diretor do Earthquakes, lideraram um grupo estruturado às primeiras partidas amadoras. Infelizmente, o antigo nome e logo do time não foram usados por um tempo, mas aquele novo time resgatou o saudosismo e a herança que o Earthquakes carregara. Eles ficaram conhecidos como San José Clash.

Em outubro de 1999, após algumas boas temporadas, partidas com estádios lotados, o Clash “volta” a se chamar San José Earthquakes, deixando para trás apenas a logo vermelha e branca e assumindo uma nova cara, branca, preta e azul.

O time passa por algumas temporadas desastrosas e muda de técnico alguns dias antes da MLS SuperDraft – uma competição norte-americana famosa nacionalmente, que investe em grupos de times universitários. (É importante lembrar que a estrutura norte-americana no Futebol é muito semelhante àquela do Futebol Americano).

O novo arranjo do time e a mudança de técnico trouxeram bastante sorte para o Earthquakes, que venceu o SuperDraft em uma grande virada, em 2001. O San José saiu vitorioso da final contra o LA Galaxy, seu grande rival – essa rivalidade é conhecida como o California Clássico.

Nos anos seguintes, o Earthquakes ainda vence o a copa da MLS de 2003, acumulando duas vitórias na liga mais famosa da América do Norte. Antes do hiato de 2006, o clube rendeu mais duas aparições nas finais da MLS e um prêmio da Supporter’s Shield em 2005, concedido anualmente ao melhor time da temporada.

Ao fim da temporada de 2005, em resposta à procura de um estádio sediador do time, o San José é transferido a Houston, TX. A partir daí, passa a ser chamado de Houston Dínamo, liderando a posterior criação do novo clube, novamente sedimento da MSL, mesmo após sua relocação como Earthquakes em 2008.

De volta à MSL no mesmo ano, o Earthquakes rendeu boas partidas na temporada, apesar de não garantir nenhuma vitória ou posição relevante, o que desclassificou o time antes das finais. Em 2009, fecha contrato de três anos com a empresa Amway Globe, e readquire Chris Wondolowski, atacante que veio a se tornar MVP em 2012. Wondo – como era apelidado – já fizera parte do San José anteriormente, mas retornou apenas em 2009 ao time. Apesar dos bons reajustes, o ano de 2009 não rendeu ao Earthquakes nada relevante.

Em 2010, chega nas semifinais da MSL, com bom acúmulo de pontos, mas perde para o Colorado Rapids de 1x0. Em 2011, o Earthquakes não rende uma boa temporada, ficando em sétimo lugar na divisão Oeste do campeonato da MSL, e em décimo quarto no quadro geral.

Já em 2012, o time surge com uma reviravolta, rendendo boas partidas na primeira temporada da MSL. São apelidados de Goonies, em referência ao filme homônimo, após ressurgirem com destaque e ganharem um novo grito de guerra entre os fãs: “Goonies never say die!” (em tradução livre: “Os Goonies nunca dizem morre!”).

Esta seria uma alusão ao retorno promissor do time, e às táticas de jogo “desenvolvidas” pelo mesmo, que garantiu sua final na temporada do ano, apesar de não passarem destas. Ainda, receberam pela segunda vez o prêmio anual Supporter’s Shield e foram classificados para a Liga dos Campeões da CONCACAF, que ocorreria no ano seguinte.

SAN JOSÉ, CALIFORNIA - 7 DE NOVEMBRO: Chris Wondolowski, camisa 8 do San José Quakes é jogado ao ar pelos seus colegas após anunciar sua aposentadoria, no PayPal Park, em San José, Califórnia, em um domingo, dia 7 de novembro de 2021. Wondolowski jogou 14 temporadas com o San José Quakes, e anunciou sua aposentadoria após o jogo contra o FC Dallas. (Foto por Shae Hammond/MediaNews Group/The Mercury News via Getty Images

Em 2013, a performance do Earthquakes não foi proveitosa na primeira parte da temporada, rendendo ao time classificações baixas. Já no meio do ano, o San José enfrenta o LA Galaxy, em um California Clásico revolucionário, onde o Quakes começa perdendo de 2x1, mas vira na prorrogação, finalizando com um placar de 3x2. Este se tornaria um feito único na MSL. Apesar do grande evento, o time não passa para as finais, perdendo para o Colorado.

No ano de 2014, o rendimento do San José Earthquakes cai drasticamente. O time não passou das quartas de final do CONCACAF, e teve um péssimo escore na MSL, o que foi o segundo grande recorde negativo do time em toda sua história. Em 2015, apesar de uma melhora relacionada ao ano anterior, o Earthquakes não chega às finais da MSL. 2016 permanece com o mesmo nível mediano de performance.

Já em 2017, após uma total reestruturação na equipe técnica e direção do time, o Earthquakes finalmente chega às finais da MSL, com a brilhante performance do atacante Wondo, que bateu grandes recordes naquele ano. Apesar disso, o time perde de 5-0 para o Vancouver Whitecaps FC. Entre 2018 e 2020, o San José Earthquakes permanece em nível mediano, com classificações baixas da divisão e quadro geral.

Contudo, houve grande destaque para o jogador Chris Wondolowski, que continuou batendo recordes para a MSL dentro do time. O time fora rebaixado para o GRUPO B após a eclosão da COVID-19. Atualmente, encontra-se em décimo lugar na divisão Oeste da MSL.

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