O técnico Guto Ferreira admitiu que sua equipe não conseguiu se adaptar às condições do gramado adversário, adotando uma estratégia de jogo incompatível com o seu forte

Gol no início e resultado final

O torcedor do Bahia esperava que a equipe conseguisse dar a volta por cima após o atentado terrorista no meio da semana passada, em jogo válido pela Copa do Nordeste. Agora, pela sexta rodada do Campeonato Estadual, uma vitória bastava para subir ao G4 da tabela, zona que dá classificação para as fases finais e eliminatórias.

No entanto, a Juazeirense atrapalhou todos os planos dos comandados de Guto Ferreira e abriu o placar logo aos três de jogo, com Deysinho. Numa cabeçada, ele aproveitou a confusão da defesa do tricolor para marcar o seu gol. E foi só.

Num gramado alto, a Juazeirense pôde fazer o seu jogo. Ficar na defesa e aproveitar para explorar as saídas rápidas em contra-ataque. O gol no começo facilitou a sua proposta. E o Bahia não conseguiu superar a dificuldade de trocar passes no estádio Adauto Moraes e envolver o adversário num campo desses.

Apesar disso, o Bahia teve muito mais posse de bola. Foram 62% do tempo com ela nos pés, porém o número de finalizações foi igual para cada lado: 9. Além disso, o Bahia teve mais escanteios a seu favor (8 contra 2), exigindo algumas defesas do goleiro da Juazeirense, Rodrigo Calaça.

Deysinho comemora o gol madrugador que deu a vitória ao Juazeirense sobre o Bahia neste domingo

Mesmo tendo rodado o elenco para preservar alguns jogadores, o técnico Guto Ferreira não conseguiu extrair o melhor dos que entraram. Sem Hugo Rodallega e Marcelo Cirino no ataque e Luiz Otávio, a escalação alternativa com o lateral Luiz Henrique no ataque não deu resultado.

Ainda assim, Guto Ferreira reconheceu que os 73% de passes certos ficaram abaixo do esperado:

A questão dos fundamentos, nossa equipe tem tido de 87% a 89% de passes certos nas partidas. É um aproveitamento de 5% a 7% maior que o do ano passado, o que mostra uma evolução. Mas o campo de hoje deixou isso inviável. A gente não conseguiu propor nosso jogo. Tentamos ligação direta e não conseguimos”, refletiu.

Além do gramado, outra explicação para a derrota dada por Ferreira foi a mudança de comando e a chegada de reforços na Juazeirense:

A Juazeirense não tinha vencido, mas também não tinha tido 15 dias para treinar na mão de um treinador novo e com reforços. Então não é a equipe que começou a competição”.

Entre a cruz e a espada

A derrota para a Juazeirense marca uma das piores jornadas do Bahia no campeonato estadual. Com apenas uma vitória, duas derrotas e três empates, o Bahia soma apenas 6 pontos na competição, mantendo-se na sexta colocação. Está a 3 pontos de distância do Vitória, o primeiro do G4 e a dois do Doce Mel, o primeiro a ser rebaixado.

Assim, seu aproveitamento é de 33%. Para encontrarmos um desempenho tão ruim, é preciso voltar ao ano de 1942, quando o Bahia conseguiu apenas 4 pontos em 24 disputados.

E a vida não será fácil, uma vez que o próximo adversário será o Atlético de Alagoinhas, fora de casa. O técnico Guto Ferreira já demonstrou algum pessimismo para o confronto, abordando a preparação do atual campeão baiano:

“A gente viaja hoje e depois viaja para Alagoinhas. Ao chegar lá, vamos pegar um piso que eles estão adaptados e a gente não. Isso tudo faz diferença. Eles estão treinando há dois meses. Estão na nossa frente. Pelo menos 40 dias na nossa frente eles estão”, afirmou Ferreira.

Pelo lado da Juazeirense, a vitória deu um bom fôlego para o Cancão de Fogo, como é conhecido. Está empatado com Bahia e Unirb, com seis pontos, mas perde nos critérios de desempate (saldo de gols pior do que ambos). De modo que ocupa então a oitava colocação do torneio.

Agora, sua próxima partida será pela Copa do Brasil, na quarta-feira, às 20h30. A Juazeirense terá de viajar até Goiânia para enfrentar o Grêmio Anápolis. Um empate garante a classificação para a próxima fase.

Volante Edson foge para a Hungria

Em janeiro, o volante Edson mal poderia imaginar que teria de fugir de uma guerra na Europa. Pois foi o que aconteceu com o volante Ex-Bahia. Desde 2019 no clube tricolor, ele teve seus direitos vendidos ao Rukh Lviv, da Ucrânia.

Agora que a Rússia declarou guerra e invadiu a Ucrânia, todos tentam sair do país o mais rapidamente possível. Edson conseguiu fugir para a Polônia. No entanto, teve de optar por uma rota alternativa, indo para na Hungria, uma vez que teve a sua entrada barrada em território polonês. Agora, ele pretende voar direto para o Brasil.

Ajoelhado no canto direito, Edson ajuda a segurar o cartaz de papelão com a bandeira do Brasil

Ministério Público irá investigar atentado

Por fim, uma novidade em relação aos desdobramentos do atentado terrorista ao ônibus do Bahia é que o Ministério Público Estadual foi acionado e irá acompanhar as investigações policiais.

De acordo com a nota divulgada para a imprensa, “A representação será distribuída a um promotor de Justiça, com o objetivo de acompanhar as investigações policiais em andamento e para adoção de eventuais medidas legais que se façam necessárias”.

Este é mais um capítulo para a apuração e definição dos responsáveis pelas bombas que explodiram no automóvel da delegação do tricolor baiano. Vários jogadores ficaram feridos.

Rombo na lataria do ônibus que levava o Bahia para a Fonte Nova em jogo válido pela Copa do Nordeste

Segundo a análise do material cinematográfico, um dos veículos envolvidos é da guarda do presidente da Torcida Organizada Bamor, Half Silva. No entanto, ele negou envolvimento no ataque terrorista. As pessoas continuam sendo ouvidas no decorrer da investigação do caso.

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