A eliminação já provocou a demissão do executivo de futebol, do preparador físico e do auxiliar técnico; Tiago Nunes segue no comando

Iguatu: vitória no tempo normal e nos pênaltis

Precisando devolver o resultado passado, quando foi derrotado por dois a um na Arena Castelão, o Iguatu demorou para levar perigo ao gol defendido por João Ricardo. Quem começou pressionando, tentando aumentar a vantagem foi o Ceará, que fez uma blitz inicial, contudo sem sucesso.

Foi somente aos 25 da etapa inicial que Romário, de cabeça, quase abriu o placar para o Iguatu. Logo em seguida, Bruno Ocara acertou o travessão num tirombaço de fora da área. No rebote, novamente Romário desperdiçou as chances para marcar o primeiro gol do Iguatu. O péssimo estado do gramado não permitia um bom espetáculo, como de hábito nos torneios estaduais brasileiros.

O atacante Romário teve boas oportunidade de cabeça para dar vantagem ao Iguatu no confronto contra o Ceará, mas não estava no dia mais inspirado de sua carreira

Já na segunda etapa, pouca coisa continuava acontecendo. Sem castigar o Iguatu, o Ceará levava o jogo em banho-maria, uma estratégia perigosa, uma vez que bastava um gol para levar a decisão para as penalidades máximas. E foi somente aos 35 minutos que Otacílio Marcos mandou a bola para o fundo do gol. Era o suficiente para empatar o confronto.

Na decisão por pênaltis, o Iguatu levou a melhor: 4 a 3 sobre o Ceará. O zagueiro Gabriel Lacerda perdeu a penalidade alternada e Becker guardou o dele. Nem foi preciso esperar pelo apito do juiz Renato Pinheiro para a torcida do Azulão fazer a festa no estádio Morenão.

Loucura no Morenão: torcedores e jogadores comemoram feito histórico ao eliminar o Ceará nas quartas de final do estadual

Tiago Nunes assume a culpa

Após a partida, o técnico Tiago Nunes tentou encontrar palavras para explicar a derrota e a eliminação nos pênaltis para o Iguatu, mas voltou as atenções para o sentimento de tristeza:

Primeiro iremos sentir a derrota, entender a grandeza do clube, a representatividade que o Ceará tem, ainda mais na região Nordeste e no campeonato local. Tem que sentir. É um momento de compartilhar essa dor, assumir a responsabilidade e seguir em frente, tentando remediar isso, se é possível, da maneira mais rápida possível. Não há tempo de se lamentar. É caminhar olhando para frente neste momento, lamber as feridas e buscar a classificação na Copa do Brasil”, afirmou.

Nunes também assumiu a “responsabilidade total” pelo vexame: “se há de se eleger um culpado, o culpado sou eu, o treinador do Ceará, Tiago Nunes, sou eu o culpado pelo que aconteceu. Vou arcar com isso tentando dar o meu melhor, junto com a comissão técnica, grupo de atletas e clube, para que consigamos reverter essa imagem”.

É a pior campanha do Ceará no estadual desde 1956.

Próximos confrontos

Pelo lado do Ceará, a próxima partida é já na próxima quarta-feira, 19h, dia 2 de março. Em Boa Vista, no estádio Canarinho, o São Raimundo-RR pretende aproveitar a má fase cearense para avançar na Copa do Brasil. Ao Vozão, basta o empate para se classificar.  

Já o Iguatu está classificado para as semifinais do Campeonato Cearense. O adversário será o Caucaia, em data a ser definida pela Federação Cearense de Futebol (FCF).

Eliminação do Ceará causa feridas no clube

Se Tiago Nunes segue no comando técnico da equipe, o mesmo não se pode dizer do executivo de futebol, Jorge Macedo. Ele estava no Vozão desde 2019, tendo colhido bons resultados à frente do clube. Coube a Macedo a missão de mudar o perfil do elenco que quase foi rebaixado naquele ano.

Jorge Macedo, ex-executivo de futebol do Ceará

Já no primeiro semestre de 2020, o Ceará se sagrou campeão da Copa do Nordeste, além de entrar em competições internacionais via Campeonato Brasileiro por dois anos consecutivos. Nessas ocasiões, o Ceará disputou a Copa Sul-Americana.

Além de Macedo, o preparador físico André Volpe e o auxiliar técnico Daniel Azambuja também foram desligados do clube.


Compartilhe esse conteudo