Jogador afirmou, em carta, que pode retornar ao clube – não como jogador, mas com outro tipo de vínculo

O último dia de 2021 foi, também, o derradeiro do goleiro Cristian David Lucchetti no Atlético Tucumán, da província de Tucumán, na Argentina. Ídolo do clube com mais de 200 partidas, o craque de 43 anos terminou seu contrato de quase dez anos no último dia 31 de dezembro, e enviou uma carta ao jornal argentino La Gaceta.

No documento, o atleta fala em conversas desencontradas com o novo treinador, além da contratação de um novo goleiro. “Sua mensagem foi contundente e clara, fechando qualquer possibilidade de minha continuidade”, diz trecho do texto divulgado no veículo de comunicação.

Ainda segundo ele, não caberia negociar um novo contrato sem saber se poderia jogar. “Dado que a minha intenção sempre foi continuar no clube, parece antiético aceitar um contrato sem ter a oportunidade de competir, e isso já era do conhecimento dos dirigentes há muito tempo. Por isso, pareceria desrespeitoso ao torcedor aceitar um novo contrato como jogador, sabendo que não estarei em pé de igualdade com meus companheiros; sendo que estaria prejudicando o Atlético do ponto de vista econômico e é a última coisa que eu quero.”

(Foto: Reprodução/TyC Sports)

E ainda: “Não tenho dúvidas de que estou saindo triste, magoado e decepcionado, mas gostaria que deixasse claro para os torcedores que o único ídolo do Atlético é a camisa acima de qualquer jogador, empresário. (…) Serei eternamente grato pelos momentos vividos e compartilhados com as pessoas dentro e fora do campo. Muitas são as boas recordações em campo e no clube, mas as mais importantes são os amigos que esta maravilhosa província me proporcionou e que hoje sinto parte da minha família.”

Ele ainda disse se despedir de um clube que carrega no coração e que acredita que retornará, em algum momento, não como jogador, mas vinculado ao time. “Eterno obrigado por me deixar fazer parte da história deste maravilhoso clube, por me adotar como mais um Tucumán, pelo respeito e carinho que minha família sempre recebeu”, escreveu na carta de despedida.

Fundação do Atlético Tucumán, conquistas e mais

A fundação do Atlético Tucumán ocorreu setembro de 1902. O clube é o primeiro do País a utilizar as cores da bandeira da Argentina, o azul e o branco. As maiores premiações do time são dois troféus da Primera B Nacional (a segunda divisão do Campeonato Argentino), sendo um deles da temporada 2008/2009 e o outro em 2015, já com participação do goleiro Cristian Lucchetti.

O clube, que tem como casa o estádio Momumental José Fierro (o primeiro do norte da Argentina) também teve conquistas expressivas em números entre 1919 e 1976. Foram 21 campeonatos anuais, oito competições e 13 torneios de honra.

Mas a primeira premiação, que a equipe lembra com orgulho, ocorreu em 30 de janeiro de 1960. Naquele dia, o Atlético Tucumán, comandado por Roberto Santillán, se tornou o Campeão Argentino de Campeões (Campeonato Argentino de Campeones).

A vitória veio nos pênaltis, em Buenos Aires, em cima do El Nacional. O Atlético Tucumán era formado por Gregorio García, Jorge Amaya, J. Gutierrez e Hugo Ginel; Antonio Rosalino Graneros e Rafael Albrecht; Martín Canseco, Antonio Tejerina, Miguel Muñoz, Epifanio Ortega e Ibarra Castillo.

Albrecht marcou aos seis minutos, mas Eduardo Villar logo empatou. Depois da prorrogação (dois tempos de 15 minutos), pênaltis. À época, não era preciso trocar o jogador e o Atlético, com o atacante Martín Canseco, venceu por 5 a 3.

(Foto: Site oficial do Atlético Tucumán)

Primeira vez na divisão de elite

Foi em 1973 que o Atlético estreou um Torneio Nacional da Primeira Divisão. Em 1979, ainda na elite, o clube conseguiu terminar a competição em terceiro lugar, atrás do campeão River Plate e do vice-campeão, Unión de Santa Fe.

Em 1986, contudo, jogou na segunda divisão, chegando a cair para a terceira, em 2002 – saindo dela uma vez em 2004 – e depois, novamente, na temporada 2007/2008.

Vale destacar, ao retornar à elite, em 2015, o clube atuou por dois anos consecutivos na Copa Libertadores da América – sendo a última vez em 2020. Entre as façanhas, conseguiu eliminar equipes tradicionais do torneio, como o Atlético Nacional da Colômbia e o Peñarol de Montevideo.

A equipe do Atlético Tucumán

Atualmente, o Atlético Tucumán tem no plantel os goleiros Marchiori e Ibañez. No site oficial da equipe ainda consta o icônico camisa 1, Cristian Luchetti.

Na defesa, Mauro Osores, Marcelo Ortíz, Gabriel Risso Patrón, Felipe Campos, Santiago Vergini, Marcos Valor, Matías Orihuela e Agustín Lagos. Os meio-campistas são: Cristian Erbes, Franco Mussis, Ramiro Carrera, Renzo Tesuri, Joaquín Pereyra, Leonardo Heredia, Guillermo Acosta, Nicolás Laméndola, Hernán Rosales, Abel Bustos, Lucas Naranjo e Kevin Nickler.

Por fim, compõe o ataque da equipe Cristian Menéndez; Ciro Rius, Junior Benítez, Augusto Lotti, Ramiro Ruiz Rodríguez, Kevin Isa Luna e Ignacio Maestro Puch. No comando, o técnico Pablo Guiñazú.

(Foto: Site oficial do Atlético Tucumán)

A comissão é composta por Mario Alberto Leito (presidente); Enrique Salvatierra (primeiro vice-presidente); Ignacio Globisky (segundo vice-presidente); e Miguel Abbondándolo (terceiro vice-presidente).

Estádio José Fierro

O estádio Monumental José Fierro tem capacidade para 35 mil espectadores. Ele é o maior e mais moderno da província de Tucumán e já foi palco de partidas marcantes, além de shows nacionais e internacionais.

Ele passou por reformas entre 2018 e 2019, que incluíram a construção de duas novas bancas, uma sala de imprensa renovada, balneários para a delegação local, visitantes e árbitros, bem como uma sala antidoping e um amplo e moderno salão central.

Ressalta-se, o “Monumental” no nome passou a ser utilizado em 1938, autoria do jornalista Antonio Benejam. Até hoje é o estádio com maior capacidade de espectadores no norte do país.

Grandes nomes já brilharam em seu gramado. O mais icônico, talvez, tenha sido do brasileiro Edson Arantes do Nascimento, o rei Pelé, que participou de um jogo em 1966 pelo Santos. Além dele, por várias vezes o ídolo argentino, Diego Armando Maradona

Outros clubes que passaram pelo estádio foram: o Boca; Rio; Corrida; Independente; San Lorenzo; Nacional e Peñarol, do Uruguai; as seleções do Peru e da Bolívia; Cruzeiro e Botafogo, do Brasil; além de Sevilla e Deportivo La Coruña, da Espanha; entre outros. A casa foi palco, ainda, de jogos da Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana.

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