O PAEEK (Associação Desportiva de Futebol da Província de Kyrenia) é um time do Chipre que atualmente joga na primeira divisão da Protáthlima A΄ Katigorías, a primeira divisão do campeonato chipriota de futebol.

Mas nem sempre foi assim, durante parte de sua história, o clube competiu nas divisões de acesso do futebol local. É atualmente a equipe do país que mais vezes disputou a série B, mas na temporada 2020-21, após vencer a segunda divisão, conseguiu o acesso para a elite do futebol pela primeira vez em sua história.

Trata-se de um time que apesar de não ter um retrospecto de títulos e grandes honrarias, representa bem a história de uma comunidade, que após a invasão turca em 1974 se refugiou na cidade de Nicósia e lá reafirmou suas raízes. Isso mostra a importância do esporte em tempos de renovação.

Escudo PAAEK - créditos da imagem: facebook oficial do PAEEK

Elenco

Para sua temporada de estreia na primeira divisão, a diretoria do PAEEK fez uma verdadeira reestruturação no time. Foram 19 contratações para formar um elenco de 31 jogadores para dar mais opções ao técnico Makis Sergidis, no cargo desde 2020 e responsável pela ascensão do time.

Elenco PAAE - créditos da imagem: Scribd

É um elenco forte, jovem, com idade média de 25 anos. Você vai encontrar no time desde jogadores mais novos, como é o caso do volante Konstantinos Pattichis, de 19 anos, mas também alguns veteranos, a exemplo do ponta esquerda brasileiro Nando, de 32 anos.

Além disso, 61,3% do plantel é formado por estrangeiros, 19 dos 31 atletas. Como no país, não há limites para atletas de fora, não há problemas.

O time que vai a campo é formado pelo goleiro Patrick Procek, 27, os zagueiros Elie Ngombo Wabelo, 26, e Uros Kosik, 29. Na lateral esquerda Alexandros Kouros, 28, e na lateral direita Marios Dimitriou, 29.

No meio de campo, o meia central Andreas Fragkeskou, 25, o meia esquerdo Nikell Or, 21, e o meia ofensivo Reda Maamar, 28. Na ponta esquerda Nando, 32, na ponta direita Lewis Enoh, 29 e na frente o centroavante Marco Nunik, 28.

O técnico Makis Sergidis opta por um time agressivo, que aperta a marcação, principalmente pelos lados com os meias. A formação adotada é a 4 - 3 - 3, com o centroavante atuando livremente.

Primórdios do PAEEK

Era uma necessidade da comunidade ter seu próprio time de futebol. As comunidades e aldeias vizinhas já tinham seus representantes, menos a Kyrenia (Cirenia), no litoral norte de Chipre. A escola local, a Kyrenia High School Alumni Association (SAGK) já mantinha uma equipe de futebol, mas não de forma contínua.

A única equipe da região era o Kyrenia Athletic Club (ASK), fundada em 1948, mas devido a problemas estruturais foi dissolvida em 1950 e o prédio em que funcionava foi transformado em um Café.

A ideia de criar um time profissional foi abraçada por alguns entusiastas do futebol na cidade e logo contou com o apoio da população. Os jovens membros da SAGK eram os mais entusiasmados com a ideia, inclusive promovendo assembleias para convocar a comunidade.

Em outubro de 1953, foi formado o primeiro clube profissional de futebol de Kyrenia. Era o clube SAGK e que seria o precursor do PAEEK FC. Entre os primeiros membros fundadores estavam Andreas Katsellis, que viria a ser o primeiro presidente do clube, e Frixos Vrachas, que redigiu a constituição do clube.

Estádio PAEEK - créditos da imagem: Wikipedia

Conforme o documento de constituição do time, toda a população do Chipre, independente de crença religiosa ou política, poderiam ingressar no clube. Na ocasião, a águia de duas cabeças foi escolhida para compor o escudo do clube, e o preto e amarelo como suas cores originais.

Juntamente com o futebol, o PAEK também lançou uma equipe de basquete, que foi um dos membros fundadores da Associação de Basquete do Chipre em 1966. O time venceu três campeonatos consecutivos de 1971 a 1973. Também participou de 5 finais de copa e se classificou para a FIBA ​​Saporta Cup em 1995.

Primeiros anos

Um dos pilares da assembleia que decidiu pela formação do clube, era de que a associação não iria interferir em questões políticas. Além disso, os cipriotas turcos também poderiam ser membros e atletas do clube.

A primeira partida do PAEK foi disputada no estádio recém-construído, o GS Praxandros, contra o APOEL Nicósia em novembro de 1953. No ano seguinte, a equipe ganhou o direito de participar da Federação de Futebol do Chipre (KOP) após uma candidatura feita à força e aceito no mesmo ano.  A partir daí, PAEK, Alki Larnakas e Orpheus Nicosia se juntaram ao KOP.

O PAEK aderiu à categoria B, que em seguida foi dividida em dois grupos. No Grupo A, estavam o PAEK, União de Jovens Santas Confessoras, Kensgik Kiuji, Alki Larnaca e Orfeu Nicósia.

O clube competiu na recém-criada liga, mas na temporada 1955-56 embora tivesse um time forte, o PAEK foi forçado a se retirar da liga, visto que os jogadores foram presos por serem membros da EOKA, a Organização Nacional de Combatentes Cipriotas, uma organização cipriota grega, nacionalista e guerrilheira.

A equipe só foi reativada em 1959 quando os jogadores ganharam a liberdade. No mesmo ano participaram da Taça da independência em que participaram todas as equipas da primeira divisão e quatro da segunda. O PAEEK foi o participante convidado devido sua importância, mas foi eliminado nas quartas de final pelo vencedor da copa, o Anorthosis.

Nas temporadas seguintes, o PAEK participou da categoria B, mas sem grandes possibilidades de ascensão para a principal liga. Na edição de 1967-68 da Copa do Chipre chegou às quartas de final.

Invasão turca

Por conta da invasão turca em 1974, o clube foi forçado a se mudar para Nicósia, mas continuaram competindo. O clube fez uma pequena união com o AEK Karava e participaram de forma conjunta do campeonato local com o nome PAEK/AEK. Em 1977, os dois times foram unificados e passou a se chamar PAEEK FC (União de Futebol e Esportes do Distrito de Kyrenia).

Divisões de base do PAEEK - facebook oficial do PAEEK

Com a fusão ficou decidido que as cores mudariam de preto e amarelo para preto e branco, com a cor preta simbolizando a tristeza da invasão turca e o branco simbolizando a esperança de que o time retornaria à cidade natal. Quando o clube voltar a Kyrenia, retornará às suas cores originais.

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