Conheça o FC Ingolstadt, time administrado pela montadora Audi.

Jonnathaz Delmondes
Jonnathaz Delmondes,
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Conheça o FC Ingolstadt, time administrado pela montadora Audi.

A equipe criada em 2004 já disputou a primeira divisão da Alemanha em duas temporadas

A jovem equipe do FC Ingolstadt 04 é o orgulho da cidade que tem o mesmo nome, na Alemanha.

Embora ainda não tenha se tornado uma das capitais do futebol mundial, já é conhecida por ser o berço da sociedade secreta dos Illuminatis (presentes em inúmeras teorias da conspiração), e do lendário médico Victor Frankenstein, personagem criado pela escritora Mary Shelley e que dá vida a um monstro com feições humanas.

O FC Ingolstadt nasceu em 2004, fruto da fusão entre dois times antigos: o MTV 1881 e o ESV. A sua estreia aconteceu no dia 10 de julho daquele ano, em um amistoso contra o Borussia Mönchengladbach (que 'estragou a festa' e venceu por um a zero). Assistiram à primeira partida no estádio 4.086 espectadores.

O FC Ingolstadt é também conhecido como "Die Schanzer". Este é um termo que, em livre-tradução para o alemão, significa fortificação, fortaleza. O apelido tem íntima relação com a história da cidade, que fica no estado da Baviera, a poucos quilômetros de Munique e às margens do rio Danúbio.

Os governantes da Ingolstadt sempre trataram a segurança do vilarejo como prioridade. Por ser margem de rio, era (ou ainda é) uma importante rota comercial. E, em função dos vultosos investimentos para barrar eventuais invasores, ficou conhecida como cidade-fortaleza.

Ligação com a Audi

Por conta da posição geográfica privilegiada, Ingolstadt foi escolhida para ser a sede da Audi. A maior parte dos cerca de 130 mil habitantes da região vivem em função da montadora e dos benefícios econômicos que a presença dela proporciona. Estima-se que cerca de 25% da população local trabalhe na fábrica.

O time, é claro, também tem estreitas relações com a Audi. Mais do que patrocinar o clube, comprou parte das suas ações e faz parte da supervisão técnica do FC Ingolstadt.

Além disso, investiu 20 milhões de euros na construção do estádio Audi Sportpark, localizado a poucos metros da rodovia que liga a cidade a Munique. Ficou pronto em 2010 e tem capacidade para 15,8 mil torcedores.

O primeiro jogo no Audi Sportspark foi uma vitória do time da casa por dois a zero contra o Karlsruher SC, no dia 24 de julho de 2010.

A média de público do Ingolstadt é de 10 mil espectadores por jogo, ou seja: menos de um terço do que levam às arquibancadas os tradicionais Kaiserslautern, Nürnberg e Fortuna Düsseldorf - que, a exemplo dos "Schanzer", também jogam a segundona.

O fato de ser vizinho do Bayern de Munique é um empecilho para o Ingolstadt conquistar torcedores. Mas há ainda outro obstáculo a se considerar: os fanáticos pelo esporte na Alemanha ainda não digerem bem a participação de grandes multinacionais na gestão de clubes de futebol.

Enfrentam essa mesma resistência o Red Bull Leipzig, o Bayer Leverkusen (financiado pela farmacêutica Bayer) e o Wolfsburg, que tem por trás a Volkswagen.

Jogadores do FC Ingolstadt 04 comemoram gol (Foto: Getty Images)
Jogadores do FC Ingolstadt 04 comemoram gol (Foto: Getty Images)‌ ‌

Ascensão na Bundesliga

O modelo de gestão eficiente e a presença de um forte investidor fez com que a equipe tivesse uma rápida ascensão na Bundesliga, a liga de futebol profissional alemão.

A trajetória começou em 2004/05, na Bayernliga, que seria uma espécie de quarto degrau na escalada para a elite. Logo na segunda temporada, o clube ascendeu para a Regionalliga Süd, equivalente ao terceiro nível do campeonato alemão na época.

Chegou à segunda divisão (chamada de 2. Bundesliga) na temporada de 2008/09, mas caiu em 2009/10. Naquele ano, os "Schanzer" não suportaram o nível técnico dos adversários e tiveram que dar um passo atrás, de volta à terceirona.

Em 2010, ano da inauguração do novo estádio, chegou mais uma vez a 2. Bundesliga e realizou campanhas intermediárias até 2014/15, temporada em que foi campeão e conquistou o acesso à divisão principal. A partida que confirmou o sucesso do Ingolstadt foi contra o RB Leipzig (outra equipe em franca ascensão na Alemanha).

Este é o único título da equipe até hoje.

A primeira temporada dos tricolores da Baviera na primeira divisão terminou com um honroso 11º lugar. O plantel era comandado pelo técnico austríaco Ralph Hasenhüttl, que hoje trabalha no Southampton (Inglaterra).

A estrela daquele time era o atacante Lukas Hinterseer, também nascido na Áustria. Mas outro nome que fez história neste' período de ouro' do FC Ingolstadt foi o volante brasileiro Roger Bernardo, com a camisa 8.

Em 2017, a imprensa alemã noticiou com pesar a decisão do meia brasileiro de se transferir para o Atlético Mineiro. E pior: a saída de Roger não trouxe dividendos aos cofres do time da Baviera, porque o contrato dele havia se encerrado.

O volante passaria depois por clubes como Internacional, Ferroviária e Rio Claro (SP). Hoje o mesmo tem 36 anos e atua pelo São José (SP).

A derrocada do Ingolstadt

Depois de duas temporadas na elite da Alemanha, começou uma derrocada que os "Schanzer" até hoje não conseguiram reverter.

Sob o comando do treinador Maik Walpurgis, os tricolores da Baviera terminaram a temporada 2016/17 na 17ª colocação e foram rebaixados para segunda divisão. Depois, treinados por Stefan Leitl e Tomas Oral, disputaram a segundona duas vezes antes de cair para a terceira divisão.

O FC Ingolstadt até conseguiu voltar à 2. Bundesliga na atual temporada (2021/22), mas tudo indica que ocorrerá mais um rebaixamento. O plantel do técnico Rüdiger Rehm está na última colocação praticamente desde que o torneio começou.

O elenco tricolor

O time administrado pela Audi continua a sediar os seus jogos no Audi Sporspark e luta para deixar de ser um empreendimento deficitário. O último balanço financeiro anual da equipe apontou prejuízo de 200 mil euros.

O plantel tem média de idade de 25,2 anos e 32 jogadores. Destes, são 12 estrangeiros. Há três austríacos e um representante de Gana, Macedônia, Dinamarca, Sérvia, Croácia, França, Canadá, Estados Unidos e Finlândia. A legião estrangeira custa 5,7 milhões de euros, quase a metade do valor global da equipe (12,7 milhões).

Ingolstadt 04 comemora título da segunda divisão (Foto: Getty Images)
Ingolstadt 04 comemora título da segunda divisão (Foto: Getty Images)
O Brasil é o terceiro país que mais exportou profissionais para o Ingolstadt nesses 18 anos de história do clube, atrás apenas da Croácia e da Áustria.

Além de Roger Bernardo, vestiram a camisa preta, branca e vermelha os zagueiros Lucas Galvão (revelado pela Ponte Preta), Paulo Otávio (oriundo da base do Athlético Paranaense) e Danilo Soares (que nunca atuou no Brasil); o meia Daniel Lemos (também forjado pelo Athlético Paranaense); e o atacante Caiuby (com passagens por Ferroviária, São Paulo e Corinthians).

Quatro atletas do atual elenco jogam pelas seleções de seus respectivos países - dois em principais, dois em seleções de base. São eles: os zagueiros Visar Musliu (Macedônia do Norte) e Nikola Stevanovic (Sérvia). o lateral Andreas Paulsen (Dinamarca sub-21) e Merlin Röhl (Alemanha sub-20).

Os três reforços mais caros da história do FC Ingolstadt são o zagueiro francês Marcel Tisserand, adquirido junto ao Monaco na temporada 2016/17 por 3,5 milhões de euros; o centroavante paraguaio Darío Lezcano, que chegou do Luzern uma temporada antes por 2,5 milhões; e o brasileiro Lucas Galvão, que trocou o Rapid Viena pelo clube da Baviera em 2018/19 por 2,4 milhões.

Tisserand é também o jogador cuja venda foi a que mais trouxe receita aos cofres do "Schanze": sete milhões de euros, pagos pelo Wolfsburg na temporada 2018/19. A segunda mais lucrativa foi a do lateral bósnio Florent Hadergjonaj ao Huddersfield (5 milhões) a terceira, a do lateral austríaco Markus Suttner ao Brighton (4,5 milhões).

O craque com maior número de gols com o uniforme vermelho, branco e preto é o alemão Moritz Hartmann, atualmente no Rhenania Bessenich (56 gols). Puxam a fila o hoje treinador Stefan Leitl (45), Stefan Kutschke (40), Steffen Wohlfarth (29), Darío Lezcano (26), Dennis Eckert (24) e o brasileiro Caiuby (24).

Jogadores do FC Ingolstadt 04 comemoram gol (Foto: Getty Images)
Jogadores do FC Ingolstadt 04 comemoram gol (Foto: Getty Images)

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