Quem acompanha as principais ligas do futebol europeu sabe que, apesar do domínio recente do milionário PSG, o campeonato francês tem sim equipes e jogadores de grande qualidade que conferem à competição, ano após ano, alto nível de competitividade.

Um desses times é o Olympique de Marseille, tradicional equipe francesa (a única, até agora, a conquistar uma Liga dos Campeões) que recentemente tem sido lembrada pelos fãs brasileiros de futebol:  o clube do sul da França é o destino de nomes que passaram por aqui, como o meia Gerson e o treinador argentino Jorge Sampaoli.

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Dimitri Payet desde criança sabia que queria se tornar jogador de futebol. Crédito: Getty Images.

Na atual temporada da Ligue 1, o Marseille é o segundo colocado, com 53 pontos, faltando oito rodadas para o fim da competição – está atrás apenas do PSG de Messi, Neymar e companhia. Muito desse bom desempenho passa pelo meia ofensivo Dimitri Payet, o polêmico craque francês. A seguir, te contamos um pouco da história do camisa 10.

De um pequeno departamento francês para o mundo.

Dimitri Payet nasceu em Saint-Pierre, na ilha de Reunião (território especial francês no Oceano Índico) no ano de 1987. Desde pequeno, o garoto de comportamento difícil já sabia o que queria fazer da vida: Payet amava o futebol e queria ser jogador.

Aos 11 anos de idade, o pequeno Dimitri ingressou nas categorias de base do JS Saint-Pierroise, uma das melhores equipes da ilha francesa. O alvinegro da Reunião – vinte vezes campeão local – abriu as portas do grande hexágono para o garoto, dando-lhe a oportunidade de ingressar nas categorias de base do Le Havre, um dos mais antigos clubes de futebol do país.

A passagem de Dimitri Payet pelo novo clube, entretanto, foi ao mesmo tempo tumultuada e breve. Após apenas quatro anos, o garoto da Reunião, acusado de ter uma personalidade forte e de ser um problema de vestiário, foi dispensado pelo Le Havre. Payet voltaria para casa.

Ce que Dimitri Payet (OM) a dit aux policiers - L'Équipe
O meia foi destaque absoluto de sua equipe e chegou a receber o prêmio de melhor jogador do ano em 2016. Crédito: Getty Images

Na Reunião, agora jogando na base do AS Excelsior, equipe modesta da também modesta Premier League reunionense, Payet não se deixou abater pela frustração; manteve-se irredutível (como era de sua personalidade) e seguiu trabalhando no seu futebol.

A oportunidade que Payet tanto esperara, sua segunda chance no futebol francês, não tardou a chegar. O ano era 2005 e a diretoria do Nantes, equipe sempre competitiva na Ligue 1, resolveu apostar num jovem promissor da distante Ilha de Reunião. Dimitri Payet retornaria à Europa.

Futebol francês.

No Nantes, o meia seria testado com desconfiança pela comissão técnica e teria de provar seu valor desde as categorias inferiores do clube francês. Finalmente, na temporada 2006/2007, Dimitri Payet faria sua estreia pela equipe principal do FC Nantes.

Entre idas e vindas no time titular, Payet teria um bom primeiro ano na equipe, anotando 4 gols e 3 assistências atuando majoritariamente pelo lado esquerdo do campo. O meia-ofensivo foi uma das surpresas do Nantes na temporada.

O bom desempenho do jogador, entretanto, não foi o suficiente para salvar sua equipe de um vexame histórico: o rebaixamento do tradicional clube para a segunda divisão francesa. Sem perspectivas na Ligue 2, Payet fez força para ser negociado pelo time que lhe abrira as portas. E assim foi feito. O reunionense foi vendido, na temporada 2007/2008, para o Saint-Étienne.

A despeito de uma primeira temporada aquém do esperado (sem gol algum em 31 jogos disputados), a passagem de Dimitri Payet pelo Saint-Étienne foi positiva para atleta e equipe.

Nas três temporadas em que jogou pelos les verts, o meio-campista atuou em 148 jogos, marcou 25 gols e distribuiu 32 assistências. Payet valia cada centavo e nos anos de Saint-Étienne fez sua estreia em competições europeias, bem como foi convocado pela primeira vez para a seleção francesa.

Ao fim da temporada 2010/2011, entretanto, a passagem do meia pelo clube do centro-leste francês chegaria ao fim. Enfim, mais um término de ciclo conturbado para o jogador: Payet forçou sua saída para o Lille, então campeão da Ligue 1.

No Lille – equipe carente pela partida do craque Eden Hazard –, o novo reforço conseguiu logo se estabelecer na parte ofensiva do campo: Payet já era um dos principais passadores da liga; seu status de jovem promessa era agora outro: estrela consolidada. Pelo Lille, foram 19 gols e 31 assistências, somando todas as competições.

Ligue 1 Dimitri Payet stars as Marseille climb above Lyon into second place with comfortable win over Caen
Pediu para ser negociado pela diretoria dos Hammers com o Marseille, ainda na temporada 2017. Crédito: Reuters.

Fato é que, com o sucesso, veio o assédio de outros clubes. Em 2013, o Olympique de Marseille desembolsou 11 milhões de euros para contar com o atleta para a temporada 2013/2014.

Na equipe do sul da França, comandada à época pelo técnico Marcelo Bielsa, uma mudança tática foi fundamental para elevar ainda mais o jogo de Payet: agora deixando de jogar pelas pontas, o meia teve mais liberdade para ser o playmaker da equipe – papel que desempenhava com maestria.

Foram apenas duas temporadas pelo OM, mas a desenvoltura de Payet enquanto meia-criador fez com que seu passe se valorizasse ainda mais. O destaque aqui vai para a temporada 2014/2015, ano em que o jogador distribuiu impressionantes 21 assistências e ainda marcou 7 vezes – tudo isso em apenas 38 jogos.

Transferência para o futebol inglês e retorno à Marseille.  

Na esteira dessa crescente em sua carreira, com números cada vez mais expressivos e performances de encher os olhos, Payet se tornou um ativo valioso para o clube. Em 2015, o meia foi vendido ao West Ham United, da Premier League, por quase 11 milhões de libras.

No futebol inglês, o meia foi destaque absoluto de sua equipe e chegou a receber o prêmio de melhor jogador do ano em 2016. Ostentando, mais uma vez, números impressionantes (pelos Hammers foram 15 gols e 23 assistências), o francês logo caiu nas graças da torcida inglesa, que o aplaudia de pé nos jogos da equipe.

Mas a identificação com a torcida não foi suficiente para manter Payet na Inglaterra. O jogador, que nunca quis deixar a França, nunca quis sair de Marseille, pediu para ser negociado pela diretoria dos Hammers ainda na temporada 2017.

Depois de viver seu auge no melhor futebol do mundo, Dimitri Payet, agora aos 30 anos de idade, redefinira suas prioridades: o jogador não queria os holofotes, a mídia ou mesmo um salário astronômico de milhares de libras; para o francês, mais valia retornar ao país que o acolhera quando ainda era apenas um garoto da Reunião, tentando a vida na Europa. Afinal, é verdade, o bom filho à casa torna.




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