Foto de capa: Marcos Freitas/Agência Mirassol

A divisão mais recente do futebol brasileiro tem muita história para se contar!

Em 2008, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu que o Campeonato Brasileiro de Futebol - o Brasileirão - precisaria de uma quarta divisão nacional. Dessa forma, a temporada de 2008 foi a última onde a Série C contou com mais de 60 clubes, e tudo mudaria a partir de 2009.

A terceira divisão seria diminuída em 20 clubes, composta pelos quatro rebaixados da Série B de 2008 e pelos 16 melhores times que não conseguiram o acesso na Terceirona. Os demais clubes teriam que disputar os campeonatos estaduais para se qualificar para a Série D do Brasileirão.

A ideia no papel serviu para tentar estabilizar melhor os clubes que disputam o Campeonato Brasileiro. Com apenas três divisões, era muito comum que um time bem estruturado "sumisse do mapa" caso fosse rebaixado consecutivamente de divisão.

Em menos de três temporadas um clube poderia ir da Série A até a Série C, e podendo não jogar nenhum campeonato nacional se não subir de volta para a B.

Com o surgimento da Série D, o Campeonato Brasileiro não apenas foi ampliado em divisões como passou a contar com mais clubes disputando a competição, e mais clubes conseguem ser mais consistentes no cenário nacional.

O São Raimundo/PA foi o primeiro campeão da Série D do Brasileirão (Foto: Marcelo Seabra/O Liberal)

A primeira edição teve o São Raimundo, de Santarém-PA, contando o título de campeão da Série D do Brasileirão. Além dele, o vice-campeão Macaé e os semifinalistas Chapecoense e Alecrim conseguiram o acesso para a Série C em 2010.

Dentre esses quatro, a Chapecoense foi a primeira equipe a jogar a Série D a chegar à elite do Campeonato Brasileiro - em 2012 o time subiu para a segunda divisão, e em 2013 já garantiu seu lugar na Série A.

Além do Verdão do Oeste, outros cinco clubes já conseguiram subir toda a colina e sair da quarta para a primeira divisão: Joinville, Santa Cruz, Juventude, Cuiabá e CSA, sendo o time alagoano responsável pelo feito único de conquistar três acessos consecutivos no Brasileirão, entre 2016 e 2018.

Contudo, a quarta divisão também acabou sendo conhecida por passar por inúmeros problemas, desde a estrutura da competição até desistências de última hora do torneio. A edição de 2009, por exemplo, originalmente contaria com 40 clubes para inaugurar a primeira edição da Série D.

Entretanto, o Atlético Roraima, que seria o representante roraimense no torneio, desistiu de disputar o torneio, e, sem ninguém para substituí-lo, o campeonato contou com 39 clubes. Infelizmente, as desistências se tornaram frequentes nas edições seguintes, muitas vezes por conta de problemas financeiros.

Pensando nisso, o sistema de qualificação teve uma ligeira alteração em 2016, no mesmo ano em que houve um aumento no número de participantes na competição, que passou de 40 para 68 times.

A partir daquele ano, todos os times que se qualificaram via campeonatos estaduais passaram a preencher vagas para a edição do ano seguinte.

Assim, quem se qualificou para 2016 também garantiu vaga para 2017, quando o sistema de classificação passou a funcionar melhor. Assim, os clubes que garantissem vaga passaram a ter um ano para poder se planejar e montar elencos para disputar a Série D.

Em 2016, o CSA saiu da Série D e em menos de três anos já estaria disputando a Série A (Foto: Ailton Cruz/Gazeta de Alagoas)

Mesmo com mais clubes, o novo formato de 68 times não agradava muito os times, que tinham apenas seis jogos garantidos na competição (a primeira fase era composta por 17 grupos de 4 times), o que era muito pouco para quem disputava um Campeonato Brasileiro.

Assim, o formato foi novamente alterado em 2020, quando os 68 times passaram a ser divididos em oito grupos com oito times, sendo que oito times das federações estaduais com as piores posições no Ranking da CBF disputariam por vagas no torneio principal. No novo formato, quatro clubes se qualificam para o mata-mata, sendo 32 clubes na briga pelo acesso.

O novo formato agradou bastantes os times, que passaram a ter pelo menos 14 datas para se organizarem e disputarem a Série D - mais que o dobro em relação ao regulamento anterior.

Quem chegasse às finais faria, somando todas as fases do mata-mata, 24 jogos ao todo.

Assim, o novo formato passaria a favorecer times melhores estruturados e com planejamentos mais eficazes na primeira fase e prepara melhor as equipes para a segunda fase.

Desde sua criação, 51 clubes diferentes já garantiram acesso para a Série C nas 13 edições já realizadas da quarta divisão, que nunca teve um time que conquistou o torneio mais de uma vez.

Dentre os clubes que já subiram, apenas dois conseguiram o feito duas vezes: o Tupi, de Juiz de Fora/MG, que foi campeão em 2011 e semifinalista em 2013, e o Treze, de Campina Grande-PB, que subiu em 2011 graças a uma decisão do STJD que permitiu que 5 times fossem promovidos naquele ano, e foi vice-campeão em 2018, perdendo o título para o Ferroviário, do Ceará.

Dentre todos os clubes que já disputaram a Série D como rebaixados da Série C, apenas o Salgueiro, da cidade homônima em Pernambuco, conseguiu o retorno imediato, quando foi semifinalista em 2013.

Com essa estatística bastante negativa, o desafio é grande para Paraná, Santa Cruz, Jacuipense/BA e Oeste-SP, os quatro clubes que foram rebaixados da C em 2021 e que irão disputar a D em 2022.

Por outro lado, dos times que subiram, 28 deles (incluindo o quarteto que subiu na edição de 2021) estão hoje espalhados entre as primeiras três divisões do Brasileirão - dois na Série A (Cuiabá e Juventude), nove na Série B e 17 na Série C.

Assim, dos 60 times com mais "estabilidade" no Campeonato Brasileiro, quase a metade já esteve na Série D - e conseguiu sair de lá para uma divisão mais alta.

A Aparecidense foi a campeã da Série D em 2021, e jogará a Série C em 2022 (Foto: Silvano Vital/Associação Atlética Aparecidense)

A atual campeã do torneio é a Aparecidense. O time de Aparecida de Goiânia/GO garantiu o seu primeiro acesso nacional, e jogará pela primeira vez na história a Série C.

O Camaleão conquistou o título superando o Campinense/PB, que também subiu para C, e com quem divide o segundo recorde de participações na Série D - nove ao todo, atrás apenas do Central de Caruaru/PE, que tem onze.

Assim como os finalistas, o ABC de Natal e o Atlético Cearense, eliminados na semifinal, conquistaram o acesso para a terceira divisão.

Visto o histórico da competição, é bem provável que esses times que subiram em 2021 - e outros que forem subir no futuro - chamem a atenção do público com mais feitos no futebol brasileiro, tal como já conseguiram alguns times que já chegaram a jogar a Série A ou enfrentam grandes clubes do país na B. Quando você sai da Série D, a saída é sempre para cima.

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