A história do futebol na cidade de Burgos é complexa, e desde a sua criação, na segunda década do século passado, sempre se caracterizou por males endémicos que afetaram todos os seus clubes.

Já em 1912, surgiram as duas primeiras entidades, Burgos Foot-ball Club e a Congregação Mariana, a que se seguiram Koscas e Athletic Club Burgalés em 1914, e Club Deportivo Burgos, Sporting Club Burgalés, Juventud Católica Social e Cid FC em 1916.

Quase todos eles têm uma vida efêmera e desaparecem assim que nascem, o mesmo acontece com os Irmãos Maristas e Racing Club de Burgos, ambos de 1917 e Corona FC e Unión Sportiva Obrera de 1918. A estes se juntam equipes ocasionais fundadas pelos militares, todas elas temporárias, como os Lanceros de Borbón e Intendencia, de 1920 e o San Marcial, Lealtad e Lancers of Spain, todos eles de 1921.

Shield Burgos CF, SAD
Escudo do Burgos Club Fútbol. (Imagem da internet).

Em 1922, nasce o CD Castilla e os militares Artillería e Alfonso XIII, destacando-se nesse ano a criação em 11 de janeiro do segundo Burgos Foot-ball Club, que joga no Campo de Lilaila e veste uma camisa vermelha e branca e calças pretas. Estes são os primeiros passos e em 1923 foi inaugurado o Campo de Laserna com terreno doado pela Compañía de Ferrocarriles del Norte.

Nesse mesmo ano, nasceu o Deportivo Castilla Burgos, conjunto que veste camisa roxa e calça preta, resultado da fusão entre Burgos FC, CD Castilla e Laserna FC. Esta jovem entidade é a primeira a federar, fazendo-o em Cantábrico, mas terá pouca validade e logo acaba por desaparecer, falha em que também participará outro clube de Burgos;

a Unión Deportiva Burgosa, também conhecida como UD Burgos, que nasceu em 1926 e desapareceu em 1929, vestindo uma camisa vermelha e branca e calças pretas.

Após o desaparecimento em 1929 da UD Burgos, o seu plantel foi dividido em duas novas formações, um novo Burgos FC e meses depois, já em 1930, o Cultural Deportiva de Burgos, que morreu meses depois.

De todos os clubes mencionados, o Burgos FC é o que dura mais tempo no complicado panorama burguês, perdurando até 1935, quando acaba por desaparecer devido ao desinteresse dos adeptos devido aos seus maus resultados desportivos.

Anteriormente, em 1934, surgiu uma nova Burgalesa Cultural diferente da de 1930 e que desapareceu nesse mesmo ano e em 1936 nasceram Júpiter FC e Gimnástica Burgalesa, ambos pouco antes da Guerra Civil e que não podem ser lançados em nível competitivo.

No final do concurso, a Ginástica Burgos que veste camisa branca e calça preta, retoma suas atividades e inscreve-se na recém-nascida Federação Astur-Montañesa, mudando em 1942 para Ginástica Desportiva de Burgos e inaugurando em 1944 o Campo de Zatorre, um novo feudo de Burgos.

Em 1946, com Tomás Rodríguez na presidência mudou para Gimnástica de Burgos, nome que não cabia entre os torcedores e em 1948 foi trocado pelo definitivo Burgos Football Club.

A Assembleia Extraordinária realizada em 24 de maio de 1983 pela então diretoria negra e branca na qual foi debatida a continuidade da empresa, sendo devida uma quantia de cerca de duzentos e cinquenta milhões de pesetas, o que era inviável, além de supor que o a dissolução de um clube histórico como o Burgos CF  por cinquenta votos a favor e apenas três contra, deixou um gosto amargo na própria pessoa de José Maria Quintano Vadillo, um dos três membros que votaram contra chegar a um final amargo.

Quintano, habilidoso como poucos, aproveitando a não renovação no Registro de Marcas e Patentes da extinta Burgos CF.

Decorridos dois anos desde a sua dissolução, pensando que a dívida seria exigível no futuro e manifestando o seu interesse em manter na memória dos adeptos de Burgos a referida denominação, adquiriu a marca e distintivo, procedendo em finais de 1985 à constituição de uma novo Burgos Club de Football.

Quando as circunstâncias o permitirem, poderá ser ativado a partir das últimas categorias do futebol regional castelhano-leonês.

Constituída em 13 de agosto de 1985, a nascente sociedade burguês foi presidida pelo próprio Quintano Vadillo, sendo o vice-presidente Alfredo Ortega Micieses, o secretário Víctor Álvarez e o tesoureiro Alfredo Ortega Martínez, fixando um orçamento inicial de cento e cinquenta mil pesetas para ter liquidez para fazer face às despesas que surgirem.

Posteriormente, em 1º de outubro, foi registrado no Registro de Clubes e Associações Desportivas de Castilla y León com sede em Valladolid. A aposta de Quintano, que foi acompanhado nesta aventura por ex-líderes do extinto Burgos CF e antigos colegas do Burgos Promesas CF.

Jogadores do time em campo. (Foto: Footy Headlines)

Ao contrário do que se supõe, não era para concorrer de imediato, tendo em conta que, caso o fizesse, teria de assumir a antiga Burgos CF, pois a sua dívida não foi vencida e continua em vigor, mas esperar o momento certo para o fazer, o momento que viria.

Anos mais tarde, concretamente em 1994, quando o Real Burgos CF, na altura o mais alto representante local, passava por uma situação financeira muito delicada e tudo sugeria que com a passagem do tempo sua história terminaria radicalmente.

Durante o verão de 1994, depois de quase nove anos de inatividade desportiva e imerso em uma longa letargia administrativa, Quintano Vadillo e seu Conselho de Administração entenderam que o momento de colocar em ação o novo Burgos CF havia chegado, puxando rapidamente as cordas para iniciar seu projeto depois de oficializar que o Real Burgos CFnão ia competir na edição de 94/95.

Todos os envolvidos sendo avisados, em 23 de setembro foi realizada uma reunião onde foi oficialmente aprovado para competir, não tendo todos eles com eles e temendo no fundo que eles não pudessem fazê-lo, pois a Lei do Esporte havia sido alterada em 1990 e persistia a dívida de 1983.

Alta tão razoável dúvida por parte do Conselho de Administração no dia 26 do mesmo mês ao Registro de Clubes e Associações Desportivas de Castilla y León, o órgão regional respondeu que oficialmente o novo Burgos CFNão cumpriu o regulamento vigente, pelo que, logo a seguir, o clube teve de recorrer aos seus serviços jurídicos para traçar uma estratégia a seguir.

Consultadas as fontes legais, em 18 de outubro o preto e branco registrou um pedido de adaptação, pedido que dois anos depois seria acatado, especificamente em 13 de setembro de 1996.

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Foto de divulgação do elenco do Burgos CF. (Foto: Goalzz)

Quintano e sua diretoria recrutaram alguns dos mais destacados jogadores do Club Atlético Burgalés e outros de diferentes clubes locais e provinciais, iniciando a carreira desportiva a partir do Regional Ordinário depois de ingressar na federação a 18 de outubro e chegando à Terceira Divisão no final da temporada 95/96.

A sua estreia na Categoria Nacional foi imbatível porque, no final da campanha de 96/97, foi proclamado campeão do grupo, perdendo apenas quatro jogos.

Esta posição permitiu-lhe promover, conseguindo nesta fase a promoção à Segunda Divisão B depois de vencer a Ponte Ourense CF., SD Alcalá e CD Lealtad. Da mesma forma, sagrou-se Campeão da Taça da Federação ao bater o UD Gáldar na final, com um empate 1-1 na primeira mão e uma vitória por 4-1 na cidade de Burgos.

A estreia na categoria bronze durante a sessão de 97/98 não foi sem emoção e o clube preto e branco teve que fazer o seu melhor para salvar a categoria e evitar a Promoção de Permanência, terminando finalmente em décimo quinto.

Alertado pelo susto e para não o repetir, no verão de 1998 foram incorporados novos jogadores e a empresa ficou em quarto lugar na Liga 98/99, obtendo um dos lugares que dava o direito de promoção para a promoção à Segunda Divisão, ainda sonho não ao alcance de seu nível esportivo já que foram superados pelo Elche CF., acompanhando-os no grupo GCCF University of LP e UD Melilha.

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Estádio Municipal El Plantío. (Foto do acervo do clube)

Atualmente, com a virada da década, mas a crise sanitária ainda persiste, durante a temporada 20/21 Burgos CF compromete-se a conquistar um lugar na Segunda Divisão formando uma equipa competitiva que, logo que começa a Liga e com o novo sistema estabelecido pela Federação Espanhola com grupos subdivididos.

Lidera de ponta a ponta o Subgrupo B do Grupo I onde participam dez clubes , acedendo de imediato à Segunda Fase onde os três primeiros classificados de um total de seis participantes irão concorrer na Promoção de Promoção à Segunda Divisão.

Primeira classificada, com um elenco de sinos e uma defesa extraordinária, a equipe comandada pelo técnico Juan Calero atinge o objetivo de promover disputando o empate das semifinais em uma única partida no campo neutro do Estádio Vicente Sanz, de propriedade de Don Benito.

Onde vence por 1-0 ao CD Calahorra, indo para a final também uma partida única onde se mede contra o Bilbao Athletic com uma vitória por 1-0, resultado com o qual é promovido à categoria prata vinte anos depois de sua última aparição diante da alegria de seus seguidores.

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